dez 5, 2017 / by Ser e Pertencer / In Blog / Leave a comment

Avalanche de informações

Não é excesso de conhecimento, é avalanche de informações que enche nossa mente diariamente.

Muitos acham que estamos com acesso ao conhecimento de uma forma ampla e igualitária devido ao avanço tecnológico e a promoção de tantos veículos de mídia social. Ainda vivemos no tempo em que Sócrates afirmava que tudo não passa de doxa – mera opinião popular sem conhecimento do que se diz. Muitos se acham conhecedores de diversos assuntos sendo que apenas leem títulos de manchetes e fazem suas próprias conclusões sobre o assunto. Ou pior que isso, reproduzem informações com a necessidade de sair à frente de todos sem ao menos checar se a informação é válida.

A avalanche de informações gera, ilusoriamente, a ideia de que muitas pessoas agora têm acesso ao conhecimento. Não, infelizmente não! O conhecimento leva tempo para ser adquirido, é fruto de muita leitura oficial, fruto de pesquisa e não é só isso. O conhecimento precisa ser gestado dentro de nós, formado, amadurecido para depois fazer-se vivo fora de nós. O tempo é um grande aliado do conhecimento, pois sem o processo necessário para o seu nascimento, teremos apenas simples opiniões sem substância argumentativa ou reflexão.

O que se vê hoje é um descrédito universalizado sobre o conhecimento. Pois, uma vez que se acredita em opiniões superficiais sobre os assuntos, tem-se a contradição de diversos fatos ou acontecimentos. Opiniões levam a equívocos e abre um campo para diversas e múltiplas asneiras ditas, faladas, pensadas e julgadas. Se as meras opiniões são o campo fértil para modelar nossa mente, então estamos à beira de um colapso antropológico, no qual cada um vive de acordo com sua opinião rasa e medíocre, isto é, diante apenas de seus estreitamentos mentais. Mente cheia não significa ser conhecedor de algo, talvez a mente vazia de informações abra espaço para a busca de conhecimento que faça a diferença e alargue as fronteiras do pensamento e da pessoa.

Infelizmente, tem-se poucos semeadores do conhecimento, aqueles que despertam a consciência com a finalidade de abrir espaço para germinar, crescer, amadurecer para assim colher do fruto do conhecimento ou melhor, nascer o conhecimento como dizia Sócrates. O conhecimento precisa nascer e não ser divulgado como mera informação sobre atos ou feitos. O conhecimento é a raiz da mudança do indivíduo que se recusa ao imediatismo do tempo para que a vida seja qualitativa.

Boa semana!

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