jul 20, 2017 / by Ser e Pertencer / In Blog / Leave a comment

Quero, posso e digo não

Queremos o melhor, podemos fazê-lo acontecer, mas, se ele não está de acordo com os nossos padrões, dizemos não.

Abrir os olhos para perceber o quanto somos egoístas é um exercício tão raro quanto a saúde da alma. A maioria de nós nem percebe que busca seus próprios interesses quase o tempo todo. Pensamos a partir de nós mesmos, sem levar em consideração a realidade dos outros. Isso acontece de forma tão natural que é mais fácil acusar o outro de egoísta do que perceber o próprio egoísmo.

A maioria das pessoas deseja o melhor para suas vidas. Querem ser felizes, ter casamentos sensacionais e famílias que sejam aprovadas pela sociedade. Desejam ser admirados por todos. O problema não está em desejar ser melhor a cada dia, mas sim em buscar ser melhor apenas para receber a aprovação para ser visto pelos outros. Cobramos do outro o que não temos condições de dar. Exigimos do outro o fruto do nosso egoísmo. Quando nos é conveniente, queremos que ele esteja perto de nós, quando não é mais, desejamos seu completo distanciamento.

As relações humanas são baseadas em atos egoístas, não em altruístas. Raras são as exceções nas quais se deseja a liberdade do outro ou mesmo sua felicidade, mesmo que distante de nós. Pais querem que os filhos fiquem com eles até a morte, abrindo mão da construção de suas próprias vidas. Esquecem que já viveram e agora precisam seguir deixando que outros também vivam. Líderes preferem castrar seguidores que possuem potencial, do que estimular neles um crescimento e desenvolvimento que os faça voar independentes. Parceiros da vida amorosa preferem competir entre si do que estimular o outro a ser mais.

A vida humana precisa de evolução. Para que ela floresça, precisamos nos desapegar do egoísmo que gera morte, paralisia e doenças relacionais. Estimular o outro a seguir, a voar e ser livre é um ato de maturidade, altruísmo e parceria com a vida. Incentivar o outro, seja ele quem for, a ser melhor, é facilitar a existência em um espírito de cooperação e vida. Quanto mais prendemos as pessoas, mais deterioramos as formas da vida humana. Queremos a mudança, podemos fazer a transformação das relações, mas precisamos entender que isso não acontece conforme nossas próprias regras. Precisamos de pessoas que incentivem a qualidade de vida, a liberdade, a coerência. Chega de castradores da alma e da vida. Desapegar-se do egoísmo é vida!

Boa semana!

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